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Dengue: Alerta máximo Imprimir
Segunda, 08 de Março de 2010 07:20
Saúde
Alerta máximo
Mirian Ribeiro / Fotos: Anderson Bianchi e Francisco Arrais
 


Os casos de dengue continuam crescendo na região, deixando em alerta autoridades e a população, principalmente porque esta nova onda da doença está apresentando maior gravidade, com a ocorrência de óbitos por dengue hemorrágica. A Baixada Santista registra 763 casos confirmados, de acordo com último balanço oficial divulgado. Santos já confirmou quatro mortes por causa da doença. Guarujá também constatou três óbitos.

Em Santos, a Secretaria Municipal da Saúde confirmou até quinta-feira (dia 4) 184 casos da doença e outros 1.080 notificados, o que não representa necessariamente a realidade, já que para um grupo de dez pessoas, apenas uma apresenta sintoma. Além disso, pelo teste convencional, a sorologia é feita somente após 10 dias do aparecimento dos primeiros sintomas e muitos pacientes, já se sentindo melhores, não retornam para o exame.

Esta semana, o Ministério da Saúde anunciou o crescimento de 109% dos casos de dengue no país. Segundo o ministro José Gomes Temporão, é "impossível imaginar" um Brasil sem dengue antes do desenvolvimento de uma vacina. Acontece que a produção da vacina é complicada pela existência de quatro sorotipos do vírus e um predomina sobre os demais, o que, nas condições atuais, tornaria a pessoa imune apenas a um deles.

 As condições climáticas, como tempo quente e chuva, têm contribuído substancialmente para o crescimento da proliferação do mosquito, por isso é muito importante a conscientização coletiva para que redobre os cuidados, principalmente com os criadouros. Um trabalho de "formiguinha", quando cada um tem que cuidar do seu espaço diariamente.

Ofensiva contra o mosquito

Esta semana, a Prefeitura de Santos lançou uma ofensiva contra o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, que compreende várias ações integradas com o objetivo de envolver a população no combate à doença. Foi criado o comitê de mobilização contra a dengue, campanha educativa permanente de prevenção à moléstia e mobilizados estudantes das escolas municipais.

Além de mensagens veiculadas nas emissoras de TV e rádio, estão sendo distribuídos folhetos propondo tarefas diárias para acabar com a proliferação dos mosquitos nos ralos, calhas, vasos, quintais, bebedouros e outros locais em que a água pode ficar acumulada. Também foram afixadas faixas em pontos estratégicos e painéis ilustrativos em ônibus e áreas públicas.

Na Zona Noroeste, a Seção de Vigilância Epidemiológica da SMS está articulando junto ao Departamento da Administração Regional da Zona Noroeste ação específica na região. A intenção é promover uma grande coleta de material descartável no local e sensibilizar os moradores para a importância de eliminar os possíveis focos do mosquito transmissor.

Neste domingo (7), será realizado um mutirão no Jardim São Manoel, bairro com maior incidência de casos (20, dos 184 confirmados até quarta-feira). Além de um verdadeiro arrastão nas ruas, terrenos baldios e residências, haverá coleta de entulho e orientações.

O que é

A dengue é uma doença febril causada por um vírus, que é transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da febre amarela. O Aedes aegypti mede 1 centímetro, tem cor café ou preta e listras brancas no corpo e nas pernas. Ele tem uma substância anestésica na saliva, por isso, na grande maioria dos casos, as pessoas não percebem o momento em que foram picadas.

O mosquito

Próprio das regiões tropical e subtropical, o mosquito transmissor da dengue não resiste a baixas temperaturas nem a altitudes elevadas. Prolifera-se com rapidez em ambientes de altas temperaturas e chuvas, como tem ocorrido neste verão no Brasil. O inseto adaptou-se às áreas urbanas e vive, principalmente, dentro das casas ou perto delas. Do ovo à fase adulta bastam apenas sete dias; o mosquito vive em média 45 dias e procria em grande velocidade.

Transmissão

O vírus é transmitido pela fêmea. O macho, como os de qualquer espécie, alimenta-se exclusivamente de frutas, já a fêmea necessita de sangue para o amadurecimento dos ovos, depositados em recipientes com água parada e limpa. A fêmea se contamina ao picar uma pessoa doente; a partir daí, o vírus passa para as pessoas sadias que picar. O mosquito costuma picar durante o dia e não há transmissão no contato com doente.

Sintomas

Os sintomas surgem repentinamente, geralmente de 3 a 5 dias depois da picada, e variam de acordo com o tipo de dengue:

Dengue comum- febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, perda do paladar e do apetite, manchas e erupções na pele, náuseas, vômitos, tonturas, cansaço, dores no corpo, nos ossos e nas articulações.
Dengue hemorrágica- além dos sintomas da dengue comum, há outros que agravam o quadro. Dores abdominais fortes e contínuas, vômitos persistentes, dificuldade de respirar, diminuição da quantidade de urina e sangramento nas fezes e vômitos.

Tratamento

O tratamento consiste em remédios para aliviar os sintomas. Assim que os primeiros surgirem, é necessário procurar um serviço de saúde. O mais recomendável é que o paciente faça repouso, reposição dos líquidos perdidos e alívio da febre com dipirona ou paracetamol. Não use medicamentos que contenham ácido acetilsalicílico (como aspirina, AAS, Melhoral, Doril e outros).

Atendimento nas unidades básicas

Ao sentirem os primeiros sintomas da dengue, como febre alta, dores no corpo, olhos e vermelhidão na pele, os moradores de Santos devem procurar a unidade básica de saúde ou a unidade de saúde da família mais próxima de casa.

Todas elas estão preparadas para atender aos casos suspeitos, com profissionais capacitados e com os insumos necessários”, disse a coordenadora de Atenção Básica de Saúde da Zona da Orla/ Intermediária, Ana Helena Fernandes, lembrando que foram abertas vagas na agenda diária dos médicos para suprir essa demanda.

Segundo Fernandes, o usuário deve se dirigir à recepção e referir os sintomas. Após a avaliação da enfermagem, ele será encaminhado ao médico. Nas UBS e USF os cidadãos receberão orientações importantes sobre a hidratação, serão submetidos à prova do laço, verificação da pressão arterial, coleta de sangue para hemograma e exame sorológico. Há material disponível ainda para aplicação de soro endovenoso, caso necessário.

Atividades para o dia a dia

• Jogue no lixo todo objeto que possa acumular água, como potes, latas, copos, garrafas etc. Cubra as caixas-d´agua e forre com areia os pratinhos de plantas;

• Coloque o lixo em sacos plásticos e mantenha a lixeira bem fechada. Não jogue lixo em terrenos baldios;

• Destampe os ralos, jogue água sanitária e lave com uma escova de cerdas duras. Ponha uma tela por baixo da tampa. Faça a manutenção diária, colocando um pouco de sal grosso;

• Retire a bandeja que retém a água e que fica na parte de trás da geladeira, perto do motor. Lave com água e sabão. Pode-se adicionar uma colher de sopa de detergente;

• Lave os pratos dos vasos com água e sabão, coloque areia grossa de construção até a borda e umedeça a areia, evitando que a água fique empoçada;

• Faça uma vistoria no quintal, corredores e áreas comuns do prédio, eliminando entulhos que possam acumular a água da chuva;

• Lave os bebedouros de pássaros e animais domésticos com água, escova e sabão. Troque a água diariamente;

• Tire as folhas secas e o limo das calhas (para não reter água) e lave com água e sabão, utilizando uma escova de cerdas duras;

• Converse com os vizinhos e faça um pente fino na sua rua. Perceba os locais que possam acumular água da chuva, terrenos baldios com mato alto e piscinas abandonadas.

Fonte Jornal da Orla.